Privatômetro atualizado com resultado do segundo trimestre da Petrobrás

O Privatômetro agora contabiliza a privatização de R$ 231,5 bilhões em ativos da Petrobrás entre janeiro de 2015 e julho de 2021 – sempre em reais de junho de 2021. Para o ano de 2021, quando foram privatizados R$ 26,86 bilhões, os destaques são as vendas da fatia de 34,1% que a Petrobrás ainda detinha da BR Distribuidora (R$ 11,36 bilhões), a RLAM (R$ 9,33 bilhões), Gaspetro (R$ 1,98 bilhão), os 10% restantes da participação da estatal na NTS e a venda do Polo Alagoas (R$ 1,5 bilhão).

A privatização da segunda maior empresa do Brasil[1], a BR Distribuidora, ocorreu no mercado acionário, e 34% dos compradores foram de estrangeiros[2] (os quais não temos o detalhamento de cada país) – após esta última privatização, 43% dos donos da BR são de estrangeiros[3]. A segunda maior privatização (RLAM) foi feita para a Mubadala Capital, fundo soberano dos Emirados Árabes. A terceira, a Gaspetro, foi entregue para a brasileira Compass (empresa da Cosan S.A.), que agora terá um peso imenso no mercado de distribuição estadual de gás natural.

Com a última atualização, temos que o principal país comprador de ativos privatizados da Petrobrás em todo o período analisado é o Canadá (27,8%), seguido pela França (20,1%) e pelo Brasil (14%). Ainda temos, em termos relevantes, compradores da Noruega (11,8%), EUA (6,2%), Japão (5,6%) e Emirados Árabes (5,1%).

Em termos setoriais, a maior privatização em 2021 foi em Distribuição/revenda (BR e Gaspetro), com R$ 13,34 bilhões, seguida de refino (primeira refinaria vendida, RLAM) com R$ 9,33 bilhões e E&P com venda de 4 campos/polos (R$ 2 bilhões).

Como dissemos, em 2021 já houve a privatização de R$ 26,86 bilhões de ativos da Petrobrás, um valor ainda menor do que os anos inteiros de 2020 e de 2019, anos em que tivemos grandes privatizações em volume de ativos, como quando em 2020 foram privatizados 25 ativos, mas também em valores, como a venda de ações por parte do BNDES (R$ 23,1 bilhões), venda de ações da BR (R$ 11,5 bilhões) e venda da TAG (vendida por quase R$ 40 bilhões).

Desde a última atualização do Privatômetro, quando utilizamos o relatório da Petrobrás do 1º trimestre de 2021, houve a venda de sete ativos que totalizaram R$ 15,54 bilhões, a maior dela sendo a venda de ações da BR, equivalente a 73% do montante. Os outros ativos foram: Campo Dó-Ré-Mi, Polo de Alagoas, Campo Papa-Terra, Gaspetro, Termelétrica Potiguar e Cia. Energética Manauara.


[1] Considerando o valor de Vendas Líquidas utilizada pela Exame (Melhores e Maiores 2020), ficando atrás apenas da própria Petrobrás.

[2] https://www.moneytimes.com.br/br-distribuidora-estrangeiros-ficam-com-34-das-acoes-vendidas-pela-petrobras/

[3] https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/08/11/br-distribuidora-diz-que-apos-oferta-liquidez-das-acoes-quase-dobrou.ghtml

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